Qual é a diferença entre medo e fobia?

3 minutos de leitura • Escrito em 6 de dezembro de 2024 • Por Andreia Ramos
Imagem simplista de Andreia Ramos a simbolizar a perceção de perigo tendo em conta o medo e a fobia

Muitas vezes, as palavras medo e fobia são usadas como sinónimos, sendo que há diferenças significativas em cada uma delas. O medo é uma emoção natural e adaptativa que ocorre como resposta a um perigo real (por exemplo, reação a perseguição por um estranho ou encontro com um animal perigoso). Por sua vez, a fobia consiste num medo persistente a algo que, usualmente, constitui um perigo pouco provável (por exemplo, medo de andar de elevador ou medo de aranhas). Os medos são mais facilmente geridos no dia-a-dia, enquanto as fobias são mais incapacitantes, necessitando, muitas vezes, de ajuda psicoterapêutica dado se inserirem nas perturbações de ansiedade.

O que é o medo?

O medo é uma resposta emocional a um perigo. Em termos de evolução, a reação de medo tem como função proteger o ser humano, despoletando uma reação rápida para a sobrevivência. A intensidade do medo é proporcional à ameaça real da situação e quando o perigo desaparece, o medo também tende a descer. Geralmente, tem uma base racional e tem em conta experiências passadas. Por exemplo, aquando de um temporal, ficar dentro de casa pode ser uma resposta cautelosa ao medo.

O que é a fobia?

As fobias apresentam uma base complexa, sendo que o perigo real é, frequentemente, imaginário. A intensidade da fobia pode ser avassaladora, trazer muito sofrimento e, apesar de as pessoas conseguirem perceber que o que estão a sentir é irracional, não conseguem fazer nada em relação a isso. Contrariamente ao medo, as pessoas têm tendência a adotar comportamentos de evitamento (por exemplo, não andar de avião) ou a experienciar sintomas de ansiedade muito intensos de antecipação e no momento da exposição (por exemplo, ataque de pânico). Dada a disfuncionalidade da fobia, é necessária intervenção específica para restauro da vida da pessoa. Os exemplos mais comuns são fobias a animais, elementos ambientais como alturas e água, vomitar, engasgar, sangue e injeções, aviões, pontes ou túneis.

A linha entre a funcionalidade ou disfuncionalidade das emoções é ténue. O medo é uma resposta adaptativa e funcional, enquanto as fobias têm tendência a afetar significativamente a vida da pessoa. As fobias aparecem com maior frequência na infância e adolescência, mas também podem surgir na idade adulta. Desta forma, é crucial que as pessoas que apresentem uma fobia sejam devidamente acompanhadas, tendo em conta o possível alastramento dos sintomas para outro tipo de perturbações mentais (por exemplo, depressão, outras perturbações de ansiedade).

Referências: Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-5), Unified Protocol for Transdiagnostic Treatment of Emotional Disorders, Treatment Plans and Interventions for Depression and Anxiety Disorders

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