Os livros de autoajuda substituem a terapia?
Escrito em 31 de julho de 2025 • Por Andreia Ramos

Não. Apesar de os objetivos de quem procura livros de autoajuda e de quem procura terapia poderem ser semelhantes (por exemplo, autoconhecimento, gerir melhor a ansiedade, melhorar competências sociais), os livros de autoajuda não substituem a terapia. Como acontece com a utilização da inteligência artificial como “terapia”, tudo o que não implique uma relação terapêutica (relação entre o psicólogo e a pessoa) não pode ser considerado terapia nem um processo psicoterapêutico.
Livros de autoajuda como promotores de conhecimento
O conhecimento na área da saúde mental é extremamente valioso. As pessoas terem a oportunidade de aprenderem sobre saúde mental e técnicas da saúde mental pode ser uma ferramenta poderosa para a vida em geral. No entanto, mesmo que o livro tenha sido escrito por um psicólogo, o conhecimento não equivale necessariamente e diretamente a melhorias.
Especificidades da terapia
A terapia implica uma relação terapêutica em que a pessoa é ouvida e onde o psicólogo se esforça para providenciar um espaço seguro, confortável e empático para o acolhimento das respetivas vulnerabilidades. A terapia não consiste em soluções mágicas ou estratégias que vão milagrosamente resolver algum problema, consiste num processo veiculado por uma relação com um profissional qualificado.
Necessidades específicas da procura de terapia
O livro de autoajuda apesar de poder ser um complemento, não deverá em momento algum substituir a terapia, principalmente, quando estão presentes dificuldades do foro psicopatológico. Em situações mais complexas, a terapia e/ou a psiquiatria são os únicos métodos de tratamento validados e científicos para ajudar as pessoas a ultrapassarem determinadas dificuldades.
Apesar de os livros de autoajuda poderem trazer inúmeros benefícios para as pessoas, o conhecimento acerca do comportamento humano não equivale a terapia. A terapia é um processo individualizado, que olha para as características, vulnerabilidades e dificuldades da pessoa de uma forma transversal e específica. Para além disso, os livros de autoajuda impedem que a pessoa seja ouvida, algo crucial de ser realizado em contexto de consultas de psicologia clínica e em psicoterapia.
Referências: 4 Therapists on What You Won’t Get From Self-Help Books