Quais os principais mitos da psicologia clínica?

3 minutos de leitura • Escrito em 29 de setembro de 2025 • Por Andreia Ramos
Desenho simplista a simbolizar os mitos associados à psicologia clínica, saúde mental e doença mental

A psicologia é uma ciência que está em constante desafio de mitos que, infelizmente, foram sido propagados em relação à saúde e doença mental. A crença nestes mitos não beneficia ninguém e pode até ser prejudicial para pessoas que queiram dar o passo de procurar ajuda com recurso à psicologia e com recurso à psiquiatria. Desta forma, é crucial que o estigma seja continuadamente desafiado para as pessoas estarem informadas quanto aos recursos existentes caso se deparem com dificuldades ao nível das emoções, cognições e comportamentos.

A psicologia é para “malucos”

Mito. Esta frase, em inúmeros aspetos, errada, acaba por ser um dos maiores mitos relacionados com a saúde e doença mental. Os psicólogos deparam-se todos os dias com problemas muito comuns do dia a dia (por exemplo, stress no trabalho, ansiedade em sair da zona de conforto, solidão, insegurança na relação), estando muito longe da realidade de “malucos”. Quem procura terapia, procura formas de ser compreender para perceber o melhor caminho para elas próprias.

A psicologia só consiste em técnicas

Mito. A psicologia é a ciência que estuda o comportamento humano e que vai muito além de técnicas específicas. Quando a pessoa procura terapia, o psicólogo tenta compreender o que está a causar determinados problemas ou dificuldades, devolve e, em conjunto, são discutidas interpretações, formas de lidar, funções de determinados sintomas… As técnicas que fazem parte de alguns modelos terapêuticos, podem ser demasiado generalistas para todas as pessoas e a terapia não segue um modelo rígido com técnicas que têm de encaixar em toda a gente.

A psicologia é para quem não tem amigos

Mito. Os amigos e familiares podem ter um papel importante na vida de uma pessoa pela positiva e pela negativa. Os amigos e familiares que impactam positivamente a vida da pessoa, são um recurso que pode ser/é muito relevante. No entanto, o círculo de pessoas circundantes nunca substituirá o acompanhamento com um psicólogo que tende a ser objetivo, centrado nas necessidades da pessoa, sem julgamentos, pressões ou expectativas.

A psicologia só serve para as pessoas se queixarem sobre os problemas

Mito. A terapia é um espaço de vulnerabilidade, onde as pessoas se permitem, ao seu ritmo, a sentir as suas emoções. No entanto, não é um espaço de “queixa” e de vitimização. Muito pelo contrário. As pessoas são expostas a falar sobre as suas dificuldades, a interpretarem o que está ou não no seu controlo e a tomar decisões mediante o que lhes faz mais sentido.

Apesar de o estigma associado ao acompanhamento em psicologia ser menor, ainda é preciso debater algumas destas questões para não atrasar a procura de ajuda de quem realmente quer e precisa. A terapia é o resultado de uma relação terapêutica, onde a pessoa se deve sentir compreendida e acolhida, com o objetivo de se sentir melhor e de estar mais de acordo com as suas necessidades. É um processo altamente individual que não consiste em técnicas nem queixas nem em pessoas “malucas” e que não têm amigos.

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