A relação com o psicólogo pode mudar?

2 minutos de leitura • Escrito em 7 de abril de 2025 • Por Andreia Ramos
Imagem simplista a simbolizar o potencial desiquilíbrio na relação terapêutica

Uma das particularidades da relação entre a pessoa e o psicólogo é que a mesma é mutável. Dado que o processo psicoterapêutico implica periodicidade e sessões constantes, é usual a relação também alterar conforme a evolução da pessoa e da própria psicoterapia. No entanto, quando a relação parece não estar a fazer muito sentido, pode ser relevante questionar a necessidade de abordar esse tema com o psicólogo ou até de trocar de profissional. Mas porque é que a relação terapêutica pode deixar de fazer sentido?

Variáveis da própria pessoa

A terapia com determinado psicólogo pode deixar de fazer sentido por fatores relacionados com a própria pessoa. É expectável que o processo terapêutico provoque mudanças e, essas mudanças, podem levar a novas necessidades e interesses pessoais. Por vezes, um psicólogo pode auxiliar muito uma pessoa numa determinada fase e na seguinte já não fazer tanto sentido e está tudo bem. O importante é a pessoa procurar ajuda de acordo com o que precisa em determinado momento.

Variáveis do próprio psicólogo

As mudanças na relação terapêutica podem ser reflexo do próprio psicólogo. Estas alterações devem ser reconhecidas pelos profissionais, pois podem manifestar-se por esquecimentos constantes de fatores importantes das consultas, desmarcações, maior impaciência, demasiado desafio cognitivo, entre outros. Os mesmos podem representar sobrecarga de trabalho ou potenciais dificuldades na vida pessoal do psicólogo. No entanto, estes aspetos criam ruturas na relação terapêutica e afetam significativamente a qualidade da intervenção.

A alteração da relação terapêutica pode ser difícil de lidar por parte da pessoa acompanhada e pode ser desafiante dar o passo de expor isso em terapia ou mesmo de desistir do processo terapêutico. Não obstante, podem existir situações ou circunstâncias que podem afetar a relação que podem ser muito exigentes de ultrapassar. Assim, é importante ouvir as necessidades próprias de forma a perceber se faz sentido manter o processo, tendo em conta que a relação terapêutica segura e de confiança é o maior preditor de sucesso psicoterapêutico na atualidade. Caso essa relação se tenha perdido, a qualidade da própria intervenção encontra-se severamente comprometida.

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