Como ajudar alguém durante um ataque de pânico?

3 minutos de leitura • Escrito em 22 de setembro de 2025 • Por Andreia Ramos
Imagem simplista de Andreia Ramos a simbolizar um ataque de pânico e como se pode ajudar alguém que o está a ter

Um ataque de pânico é uma experiência desagradável e assustadora em que a pessoa sente sintomas físicos intensos (por exemplo, taquicardia, suores, tonturas, dificuldades em respirar) enquanto experiencia medo de morrer e/ou de enlouquecer. Assim, para as pessoas à volta, é comum haver uma sensação de impotência, sem saber o que podem fazer para ajudar. Para tal, é importante saber que o sistema de alerta da pessoa está altamente ativo e que a experiência está a ser muito intensa. Porém, para ajudar, é importante se saber que um ataque de pânico tem uma duração no tempo (na maior parte das vezes) de aproximadamente 10 minutos e que a pessoa não está em perigo real.

Durante um ataque de pânico

A presença e o apoio têm sido dos fatores mais identificados na investigação como bons métodos de prestação de auxílio. A presença calma de quem está a ajudar e a menção de frases como “estou aqui contigo até passar”, “vamos para um local mais calmo” e “não estás em perigo” parece ter um efeito muito positivo durante a experiência de um ataque de pânico. Para além disso, perguntar o que a pessoa precisa (por exemplo, água, gelo, medicação, ligar a alguém, respirar fundo) também pode ajudar num momento de crise. Se o momento de crise não for acalmando ao fim de algum tempo ou se a pessoa perder a consciência, deve-se contactar os meios de emergência (ligar 112).

O que não fazer: não invalidar a experiência da pessoa (por exemplo, “acalma-te”, “não é nada do outro mundo”, “isso é da tua cabeça”, “não sejas tão sensível”).

Após um ataque de pânico

Após o ataque de pânico, pode fazer sentido falar com a pessoa sobre a procura de ajuda (psicológica e/ou psiquiátrica), caso a mesma ainda não esteja a ser acompanhada por nenhuma das especialidades. A experiência de ataque de pânico pode trazer muitas consequências negativas como, por exemplo, a pessoa não querer sair de casa em situações mais complexas, e ter alguém que vai perguntando como a pessoa se está a sentir no pós pode ser muito benéfico por promover sensações de apoio e compreensão.

O que não fazer: ignorar por completo aquele momento e evitar comentários que possam fazer com que a pessoa se sinta estranha ou diferente (“o que te aconteceu não é normal”, “vais tomar medicação para a vida?”, “eu consigo controlar a minha própria ansiedade”).

Um ataque de pânico é uma experiência muito assustadora e real. A presença de alguém pode ter um efeito positivo, se a pessoa acabar por adotar uma postura calma, preocupada e presente durante o ataque de pânico. Pelo contrário, uma presença desinformada em relação ao que se deve fazer nestas situações, pode agravar e intensificar significativamente a experiência de pânico e o respetivo sofrimento. No entanto, apesar das estratégias supramencionadas, a pessoa deve sempre procurar ajuda especializada para a intervenção direta nas causas dos sintomas (através da terapia) e nos sintomas (através da medicação).

Referências: Development of mental health first aid guidelines for panic attacks: a Delphi study

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