O que é a disforia de género?

Para a compreensão da disforia de género é importante aprofundar os conceitos de transgénero e transexual. O termo transgénero corresponde a um espectro de pessoas que se identificam com o género diferente do seu género natal. Por sua vez, transexual consiste numa pessoa que pretende ou já passou por uma transição social de masculino para feminino ou de feminino para masculino. No entanto, nem o conceito de transgénero nem o conceito de transexual são diagnósticos psiquiátricos porque o problema não é a identidade de género. A disforia de género é um problema clínico que pode surgir em pessoas transgénero e transexuais quando experienciam um mal-estar significativo associado à incongruência entre o género experimentado ou expresso e o género atribuído (isto é, género natal).
Disforia de género em crianças
Nas crianças, o diagnóstico pode ser feito se houver um desejo de ser do outro género ou uma insistência em que se é do outro género. Como tal, a forma de vestir e pentear, a escolha de brinquedos e jogos, o jogar ao faz-de-conta, a escolha de amigos são, usualmente, estereótipos do género oposto. Para além disso, pode existir uma aversão à respetiva anatomia sexual e um desejo das características sexuais primárias e/ou secundárias do género expresso.
Disforia de género em adolescentes e adultos
Com a entrada na puberdade, os sintomas podem ser diferentes, ficando mais nítido o desejo de se livrar das características físicas sexuais primárias e secundárias. Para além disso, pode existir um desconforto por funcionar socialmente de acordo com o género atribuído (por exemplo, idas à casa de banho, balneários públicos) e, nesta fase, pode existir uma maior intencionalidade na procura de tratamento médico para alterar as características corporais.
Sofrimento clinicamente significativo
A transexualidade não é um problema clínico nem uma doença mental. No entanto, tendo em conta o sofrimento de algumas pessoas transgénero/transexuais, no que diz respeito à sua experiência interna, pode surgir um quadro clínico que necessita de intervenção. Para além disso, fatores externos como elevados níveis de estigmatização e discriminação, funcionam como fatores de risco para a experiência de sintomas psicopatológicos em pessoas transgénero/transexuais com disforia de género.
O diagnóstico de disforia de género é um diagnóstico complexo, principalmente quando associado à infância e adolescência. Para tal, é necessária uma intervenção multidisciplinar e sistémica que deve envolver a psicologia, a psiquiatria e os principais agentes educativos da criança ou do adolescente, como os pais. O diagnóstico deve ser realizado sempre por um profissional da área da saúde mental (preferencialmente, de forma articulada entre profissionais de saúde mental) e a intervenção deve ser delineada de forma a diminuir o sofrimento experienciado pela incongruência de género e os níveis de estigmatização e discriminação face à mesma.
Referências: Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-5), What is Gender Dysphoria?