O que é o processo de luto?

3 minutos de leitura • Escrito em 10 de novembro de 2025 • Por Andreia Ramos
Imagem simplista de várias estrelas a simbolizar o processo de luto

Para a compreensão do luto, é necessário fazer a distinção entre dois conceitos: o luto (grief) e o processo de luto (grieving). O luto é uma emoção/sensação intensa e incontrolável, decorrente do desejo de que a pessoa que se perdeu regresse e que tudo volte ao normal, sendo esta dor paralisante e acompanhada por uma sensação avassaladora de impotência. Por sua vez, o processo de luto é um processo de reaprendizagem do mundo e de como a dor se vai moldando ao longo do tempo. No passado, o processo de luto era categorizado por fases como a negação, a raiva, a negociação, a depressão e a aceitação. No entanto, modelos mais recentes evitam esta perspetiva sequencial para enfatizar o processo de luto como algo ativo, complexo e individual, baseado na realização de tarefas de adaptação.

O processo ativo do luto

O luto é uma dor paralisante, complexa e incontrolável. No entanto, o processo de luto centra-se sobretudo no que a pessoa faz durante o processo de reaprendizagem do mundo. Durante este processo, a pessoa escolhe, com o tempo, reconhecer a perda, processar a dor e encontrar novas formas de viver a vida com novo significado.

O processo de adaptação do luto

Quando se criam laços afetivos com alguém, o cérebro processa essa relação como “nós”. A partir do momento da perda, existe um “buraco” ou vazio nessa conexão, sendo necessário um ajuste ao longo do tempo, na forma como se processa o mundo. Por exemplo, não poder ir ter com a pessoa, não poder ligar, não ouvir a sua voz. O mundo interno da pessoa mudou de forma repentina e, através da impossibilidade de manter a vida como era antes, a pessoa vai-se reajustando e reprogramando o cérebro.

O processo de luto complexo

O luto é uma reação natural a uma perda e a maioria das pessoas consegue ser bastante resiliente quando confrontada com a mesma, encontrando um novo significado para a sua vida com o tempo. No entanto, o luto prolongado acontece quando o processo de adaptação se encontra impossibilitado por alguma razão. Em algumas situações, o luto (tristeza e dor intensa associada a uma perda) pode levar à depressão (tristeza e dor intensa associada ao próprio, aos outros e ao mundo em geral), necessitando de intervenções terapêuticas mais especializadas.

O luto é uma sensação muito dolorosa de o mundo ficar de “pernas para o ar” e pode ser acompanhado de negação, raiva e tristeza muito intensas durante um período significativo. No entanto, com o tempo e com as mudanças do dia a dia consequentes da perda, as pessoas vão conseguindo criar uma vida com um novo significado e vão reprogramando a forma como veem a sua própria vida, os outros e o mundo. Contudo, em determinadas situações, o luto pode tornar-se algo mais complexo, necessitando de apoio psicológico e/ou psiquiátrico.

Referências: APA Dictionary of Psychology, Speaking of Psychology: How grieving changes the brain, The importance of conceiving of grief as an active process

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