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O que fazer quando as consultas de psicologia não estão a funcionar?

3 minutos de leitura · Escrito em 29 de junho de 2026 · Por Andreia Ramos
Imagem simplista de botões a simbolizar as múltiplas opções quando as consultas não estão a funcionar

É muito natural que o processo terapêutico se depare com alguns obstáculos, principalmente tendo em conta que o progresso em terapia não é linear. No entanto, quando as pessoas sabem que as consultas de psicologia não estão a resultar, é importante adotar comportamentos de mudança. A manutenção de um processo terapêutico que já apresenta algumas ruturas pode tornar-se insustentável e pode até acabar por trazer mais desvantagens do que vantagens (por exemplo, sensação de perda de dinheiro, sensação de perda de tempo, desmotivação face à possibilidade de mudança). Neste artigo, serão discutidas formas de lidar com esta perceção de ausência de progresso.

Reconhecer as emoções difíceis

A sensação de ausência de progresso não é uma sensação fácil de reconhecer. A verdade é que existem inúmeros motivos para que ocorram ruturas na relação: falta de conexão com o psicólogo, atrasos à consulta, desmarcações em cima da hora, processos terapêuticos longos em que se sente que se fala sempre do mesmo… No entanto, estas emoções são legítimas e devem ser reconhecidas como naturais em alguns processos.

Falar abertamente com o psicólogo

Após o reconhecimento das emoções, pode ser importante falar com o psicólogo sobre elas. Nesta etapa, pode ser útil escrever o que não está a resultar ou dizê-lo diretamente na consulta. Não obstante, para algumas pessoas é difícil encontrar a assertividade para comunicar isto. Desta forma, é importante reforçar que a honestidade auxilia em muito o processo terapêutico e que os psicólogos estão preparados para lidar com estas dificuldades, dado que o progresso não é linear.

Explorar novas possibilidades

Após a partilha das emoções, pode fazer sentido verificar que mudanças podem ser feitas dali em diante: reajuste de horário de consulta caso as ruturas sejam devido a desmarcações e atrasos, mudança na definição de objetivos, mudança na abordagem terapêutica e definição de um acordo mútuo. Outras opções, para além de manter o processo com determinado psicólogo, podem ser fazer uma pausa nas consultas, para verificar como se sente após um período, ou até suspender de vez as consultas.

Mudar de psicólogo

A opção de mudar de psicólogo é sempre algo plausível para a pessoa. O processo terapêutico não é um contrato que tem de ser cumprido por um período, sendo possível a sua suspensão em qualquer momento. Nesta fase, pode fazer sentido reconhecer o que não funcionou com o psicólogo anterior e ter esses critérios em conta na escolha do próximo terapeuta. Os processos com cada psicólogo são diferentes e há sempre a possibilidade de não funcionar. Também é possível, caso haja partilha com o psicólogo da suspensão das consultas, pedir recomendações de colegas que podem ajustar-se bem à pessoa.

Os progressos na terapia são complexos e não se movem necessariamente ao ritmo desejável pela pessoa acompanhada. No entanto, quando se sente que, mesmo sendo esse o caso, as consultas não estão a funcionar, é importante adotar mecanismos de mudança que vão ao acordo das necessidades da pessoa. As opções são variadas, no entanto, a pessoa é a única que sabe o que está a sentir e deve confiar nas suas vontades: continuar ou suspender o processo.

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