O que fazer se me cruzar com o meu psicólogo fora das consultas?

Eventualmente, esta situação acaba por acontecer a todos os psicólogos: encontrar alguém que acompanham no seu mundo pessoal. No entanto, apesar de ser uma situação provável de acontecer para os psicólogos, as pessoas que estão em acompanhamento já não têm tanto essa experiência, não sabendo muito bem como reagir ou o que fazer. Apesar de ser um momento potencialmente estranho e embaraçoso para ambas as partes, diminuindo o à-vontade no encontro, existem formas de tentar preservar a relação terapêutica, principalmente através da abordagem do encontro na consulta seguinte.
O que o psicólogo deve fazer?
No momento:
O psicólogo nunca deve informar ninguém que a pessoa em específico é acompanhada por si, dado que isso quebraria a confidencialidade do processo terapêutico. Assim, eticamente, o psicólogo deve aguardar para ver se é cumprimentado, não iniciando a interação.
Na consulta seguinte:
Nesta fase, o encontro deve ser abordado com a pessoa acompanhada. Devem ser exploradas emoções que foram sentidas, preocupações e expectativas que podem ter sido quebradas. É muito importante assegurar a confidencialidade, informando que o facto de estarem numa situação em conjunto, não implica partilhar qualquer informação das consultas com ninguém. Por fim, pode fazer sentido estabelecer um plano de ação, caso a situação aconteça novamente.
O que a pessoa acompanhada deve fazer?
No momento:
As reações das pessoas acompanhadas no momento do encontro podem ser variadas. A pessoa pode escolher cumprimentar ou não o psicólogo, e a decisão de partilhar com alguém que determinada pessoa é o seu psicólogo é inteiramente pessoal.
Na consulta seguinte:
A pessoa acompanhada, idealmente, deve partilhar como é que se sentiu naquela situação, bem como os seus receios e preocupações (se aplicável). É suposto sair da consulta a sentir-se segura e confortável de que toda a sua informação pessoal continua reservada. Se existir alguma mudança na perceção do psicólogo, tendo em conta que não é comum ter acesso ao seu mundo fora do consultório, essa mudança também deve ser comunicada.
Nas consultas de psicologia, a relação terapêutica é o veículo que promove mais mudança pessoal segundo estudos mais recentes. Assim, é importante adotar todas as medidas necessárias para proteger esta relação e repará-la caso tenha sido afetada por algum motivo. Caso os contactos sejam demasiado frequentes e impliquem interações regulares fora do consultório, pode tornar-se difícil preservar a relação terapêutica. Assim, pode fazer sentido discutir o encaminhamento ou definir limites concretos e claros nas interações futuras.


