Posso controlar a ansiedade?

3 minutos de leitura • Escrito em 19 de fevereiro de 2024 • Por Andreia Ramos
Imagem simplista a simbolizar a ineficácia de controlar a ansiedade

A pergunta acerca do “controlo” da ansiedade é muito típica nos processos terapêuticos, principalmente nas primeiras sessões. Esta questão acaba por ser normal, dado que a experiência de ansiedade pode trazer sofrimento significativo e tudo o que as pessoas procuram é terminar essa experiência. Na psicologia, o termo “controlo” nunca deve ser usado em relação a emoções porque acaba por ser uma contradição. As emoções não devem ser controladas, devem ser compreendidas e toleradas e muitas das estratégias usadas para o controlo da ansiedade acabam por produzir efeitos contraproducentes (ajudam a “controlar” a ansiedade naquele momento mas reforçam o aparecimento da ansiedade a longo prazo). Assim, a ansiedade não se controla porque:

Não se pode (nem deve) eliminar a ansiedade

A ansiedade é uma emoção que permite às pessoas lidar com eventos potencialmente negativos ou perigosos. Como é uma emoção direcionada para o futuro, que permite antecipar cenários difíceis e preparar uma resposta adequada, acaba por ter uma função muito importante. O objetivo nunca deverá ser o de eliminar, deverá ser o de trazer a ansiedade para níveis funcionais e adaptativos.

O controlo aumenta a ansiedade

O controlo acaba por ser uma resposta desajustada à ansiedade. O cérebro está a ser informado que tem de controlar algo que não pode ser controlado, tais como as respostas fisiológicas associadas à emoção (por exemplo, taquicardia, falta de ar, tensão, tremores). Muitas das vezes, o que a pessoa faz para controlar a ansiedade num momento mais complicado, acaba por aumentar a probabilidade dela aparecer no futuro, ou seja, não a resolve.

É preciso compreender o porquê de a ansiedade aparecer

A compreensão é dos fenómenos mais importantes nas consultas de psicologia, sendo o objetivo do psicólogo perceber o que está a causar o aparecimento da ansiedade disfuncional. As causas variam muito de pessoa para pessoa mas devem ser identificadas, de modo a aumentar a consciencialização quanto à experiência emocional indesejável e intensa.

É preciso tolerar o desconforto da ansiedade

Usualmente, as pessoas apresentam medo de experienciar ansiedade e acabam por ficar muito intolerantes a esta emoção. A verdade é que este ponto é difícil porque a ansiedade desajustada traz muito sofrimento à pessoa e tolerar os processos subjacentes à mesma é um processo que pode ser lento e delicado. Não obstante, ao ritmo de cada um, deve ser inserido como objetivo terapêutico. Se houver tolerância à ansiedade, a necessidade de controlo também diminui.

A ansiedade é uma emoção importante mas que muitas pessoas sentem a níveis muito intensos, trazendo muitas consequências negativas e afetando a respetiva qualidade de vida. Para além disso, é uma emoção que as pessoas têm tendência a lidar de forma disfuncional, aumentando, inconscientemente, a seu frequência e intensidade no futuro. Assim, os pontos acima descritos são centrais nas consultas de psicologia que têm como objetivo a autorregulação ajustada da ansiedade.

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