Quais os principais mitos da psicologia pop?

3 minutos de leitura • Escrito em 4 de novembro de 2025 • Por Andreia Ramos
Imagem simplista a simbolizar a psicologia pop para a exploração dos mitos associados à mesma

A psicologia popular, ou psicologia pop, consiste na psicologia vista pelos olhos do público. Com a ascensão de conteúdo relacionado com saúde mental, principalmente através das redes sociais, a psicologia pop tem ajudado a desmitificar muitos assuntos relacionados com a psicologia e a trazer conceitos mais técnicos para a vida real das pessoas (por exemplo, informações sobre diagnósticos, experiências pessoais de terapia). No entanto, alguns destes conceitos e ideias acabam por ficar populares mas não necessariamente sustentados por evidência científica como é o caso de: temos de ser a nossa melhor versão, toda a gente precisa de terapia, todos os problemas estão no passado e a terapia é sempre um momento libertador.

“Temos de ser a nossa melhor versão”

Mito. Esta crença de que a terapia ajuda na construção do “melhor eu” acaba por não fazer parte de muitos objetivos terapêuticos. As pessoas não estão sempre a melhorar porque vão tendo desafios diferentes à medida que o tempo passa. A terapia deve ser, sim, um lugar para a pessoa estar mais conectada às suas necessidades e compreender melhor o seu interior e o que está à sua volta.

“Toda a gente precisa de terapia”

Mito. A terapia é um recurso extremamente positivo e todos os seus benefícios são claros na investigação há bastantes anos. No entanto, esta frase acaba por generalizar as necessidades das pessoas. A terapia pode fazer sentido em inúmeras situações e circunstâncias, mas as pessoas precisam de estar disponíveis para iniciar (e manter) o processo terapêutico. Esta decisão deve caber a cada um.

“Todos os problemas estão no passado”

Mito. Esta crença muito popular nos dias de hoje acaba por ser também muito generalista. Nem sempre os problemas estão enraizados no passado ou em membros da família mais significativos como o pai e a mãe. Cada pessoa deve ser compreendida à luz do seu passado e presente, sendo a causa dos problemas extremamente individual e altamente variável.

“A terapia é sempre um momento libertador”

Mito. A terapia é um processo e, como processo que é, não é estável nem está sempre a melhorar (como no primeiro mito acima descrito). Desta forma, tendo em conta que as consultas de psicologia clínica mexem com as vulnerabilidades e fragilidades das pessoas, acabam por ter inúmeros momentos em que o processo fica mais complexo e despoleta emoções adicionais para além do alívio.

No geral, todas as frases que englobem as palavras “sempre”, “nunca”, “tudo”, em psicologia, acabam por não fazer sentido porque os seres humanos também não são lineares. Desta forma, não existe uma fórmula que funcione em toda a gente, daí a psicoterapia assentar muito nas necessidades individuais de cada um. A terapia tem inúmeras vantagens, mas também não deve ser altamente romantizada. É um processo, que pode atravessar fases melhores e fases piores, mas que não deixa de ser um processo de procura de necessidades e de autodescoberta, com tudo o que daí advém.

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