Toda a gente precisa de fazer terapia?

3 minutos de leitura • Escrito em 17 de novembro de 2023 • Por Andreia Ramos
Imagem a simbolizar que a terapia pode não ser para toda a gente

De uma forma global, a terapia e o acompanhamento psicológico trazem inúmeros benefícios para a saúde mental de cada pessoa, estando os mesmos comprovados cientificamente. Desta forma, seria fácil formular a hipótese de que toda a gente devia fazer terapia e iniciar o processo terapêutico. No entanto, existem algumas especificidades das consultas de psicologia que fazem com que esta afirmação não seja inteiramente verdadeira. Para as pessoas terem ganhos deverão, por exemplo, querer iniciar o processo, conseguir comprometer-se com o mesmo e estar preparadas para se deparar com as suas fragilidades e vulnerabilidades. Assim, as frases associadas a obstáculos terapêuticos podem ser:

Eu não quero ter consultas de psicologia

As consultas, normalmente, só têm benefícios quando as pessoas querem lá estar. É comum as pessoas serem impulsionadas a iniciar o processo por outra pessoa (por exemplo, pais, companheiro/a), porém, se não houver uma motivação própria para iniciar o acompanhamento, é difícil que as consultas provoquem muitas melhorias. A relação psicólogo-pessoa e o trabalho conjunto é o que permite o sucesso terapêutico: o psicólogo como especialista no comportamento humano e a pessoa como especialista dela própria. Infelizmente, o psicólogo não consegue ser o único agente num processo terapêutico.

Não consigo comprometer-me com o processo

Para além de se querer iniciar as consultas, é imprescindível um comprometimento por parte da pessoa. Este envolvimento é especialmente relevante dado que, as consultas de psicologia, na maior parte das vezes, não produzem efeitos rápidos e melhorias imediatas. Para tal, é necessário um acompanhamento sistémico e um comprometimento por parte da pessoa para a obtenção de ganhos. Se a pessoa, por qualquer motivo, não conseguir manter a periodicidade das sessões (normalmente, definida no início do processo terapêutico), tendo muitas faltas ou muitos atrasos e até ficar algum tempo sem consultas, é pouco provável o aparecimento de benefícios significativos.

Não quero deparar-me com as minhas fragilidades

As consultas de psicologia são um ambiente muito real, onde as vulnerabilidades são acolhidas e compreendidas. No entanto, para tal, é crucial que a pessoa partilhe com o psicólogo as suas inseguranças e medos, de forma ao psicólogo conseguir compreender a pessoa tal como ela é. Por vezes, as pessoas não querem verbalizar as suas fragilidades e está tudo bem com isso. No entanto, o processo terapêutico pode não produzir os resultados esperados. É importante mencionar que, a pessoa não precisa de partilhar logo tudo e que, muitas vezes, é preciso tempo para confiar no psicólogo e no processo. Porém, é expectável, ao fim de algumas consultas, a pessoa se sentir mais capaz ou próxima de o fazer.

Apesar de, na teoria, toda a gente poder beneficiar de consultas de psicologia, é necessário o cumprimento de alguns critérios para que os ganhos terapêuticos surjam. Nem todas as pessoas precisam do mesmo e é importante que cada pessoa saiba identificar as suas necessidades e fazer o que lhe faz mais sentido. As consultas são um investimento financeiro e de tempo e devem exigir interesse, compromisso e transparência para a redução significativa das dificuldades. Os obstáculos acima mencionados podem ser fatores de risco a ter em conta que impossibilitam essa mesma redução.

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