Como enfrentar situações de medo?

Em psicoterapia, os psicólogos são muitas vezes deparados com pessoas que experienciam situações específicas que causam muito medo – medo de voar, medo de agulhas, medo de vomitar, medo de andar de carro, medo de cães, medo de sítios com muita gente… As situações de medo podem englobar inúmeros temas e esses temas podem ser muito comuns ou mais raros. Apesar de poder ser difícil compreender algumas das emoções relacionadas com os medos acima descritos, o que as pessoas sentem é real e, essas situações, tendem a causar um mal-estar muito significativo e/ou a limitar muito as suas vidas. Desta forma, para enfrentar os medos pode ajudar desafiar pensamentos relacionados com o medo, expor em imaginação, expor ao vivo essa situação temida e procurar ajuda especializada.
Desafiar pensamentos automáticos
Para enfrentar situações de medo, é necessário lidar com a ansiedade de antecipação em primeira mão. Esta ansiedade vem associada a pensamentos como “não consigo”, “não sou capaz”, “é muito difícil para mim”. Desta forma, numa primeira instância, pode ajudar escrever momentos em que a pessoa já enfrentou os momentos temidos no passado ou momentos em que a pessoa achava que não conseguia e depois foi capaz. A leitura dessa lista de feitos pode ajudar nos momentos de maior ansiedade de antecipação.
Exposição em imaginação
A imaginação das pessoas num determinado contexto também pode ajudar a preparar para a situação temida de uma forma mais gradual. Neste sentido, a pessoa deve imaginar-se a enfrentar a situação temida, num local calmo, confortável e seguro, e deve ir verificando as suas emoções relacionadas com a situação imaginária (por exemplo, imaginar ir ao centro de saúde tomar uma vacina). Pode ajudar neste processo reler as verbalizações feitas no passo anterior.
Exposição ao vivo
Quando a exposição em imaginação, começar a ficar mais fácil, pode ser uma boa altura para fazer exposição ao vivo. Para tornar este passo mais fácil, pode ajudar uma listagem de pequenos passos para não ser demasiado desafiante (por exemplo, no caso do medo de sítios com muitas pessoas, a exposição pode começar com um pequeno passeio num parque, passar para um supermercado numa hora de ponta, antes de se ir para um sítio com um número significativo de pessoas). O objetivo é chegar à situação temida com a confiança de já ter ultrapassado os passos anteriores.
Psicoterapia e/ou psiquiatria
Uma opção sempre altamente legítima é o recurso à psicoterapia e/ou psiquiatria. No caso da psicoterapia, a pessoa vai ser ouvida além dos seus receios, permitindo uma compreensão da pessoa também à luz dos sintomas. O processo pode envolver o desafio de pensamentos e os dois tipos de exposição mas com uma base assente numa relação terapêutica de confiança que auxilia a pessoa no seu próprio processo.
O enfrentar situações temidas é uma tarefa que pode ser muito complexa para algumas pessoas. Dependendo do medo ou, em certas situações, da fobia, as pessoas devem ser expostas ao seu ritmo e sem serem forçadas a nada. Pelo contrário, a imersão no medo com ausência de preparação pode até aumentar e intensificar as emoções relacionadas com a situação temida e complexificar o prognóstico. Nestes casos em que é muito difícil, ajuda especializada em psicoterapia e/ou psiquiatria pode ser necessária.
Referências: Treatment Plans and Interventions for Depression and Anxiety Disorders