Como estabelecer limites?

3 minutos de leitura • Escrito em 8 de setembro de 2025 • Por Andreia Ramos
Imagem simplista de Andreia Ramos a simbolizar a imposição de limites e a necessidade de os ajustar ao longo do tempo

O estabelecimento de limites acaba por ser um tema muito comum em consultas de psicoterapia, ou porque a pessoa já vem com esse objetivo ou porque se foi descobrindo essa necessidade ao longo do processo. Os limites pessoais e interpessoais podem variar muito de pessoa para pessoa (depende da personalidade, do contexto sociocultural) e definem as expectativas em relação à própria pessoa e aos outros de acordo com os diferentes tipos de relação. Alguns exemplos de limites podem englobar negar algo que não se quer fazer, expressar os sentimentos de forma responsável e tornar as expectativas claras.

Importância da autoconsciência

Os limites podem variar muito de pessoa para pessoa. Por exemplo, para uma pessoa ficar a trabalhar uma hora a mais pode afetar o resto do dia e para outra pessoa pode não fazer diferença. Desta forma, para se estabelecer limites é necessário compreender o que é que é confortável para a pessoa, o que é que é prioritário e o que já começa a trazer desconforto ou até sofrimento.

Comunicação assertiva

Após o reconhecimento dos limites pessoais, é importante a comunicação dos mesmos à pessoa em causa. Por exemplo, se o/a companheiro/a tem um comportamento que causou desconforto, após o reconhecimento do mesmo, é importante a comunicação da experiência pessoal. Desta forma, a comunicação assertiva deve ser realizada de forma calma e a ter em consideração as emoções próprias e da outra pessoa ao mesmo tempo (risco de cair em comunicação permissiva ou agressiva, respetivamente).

Sentir o potencial desconforto

Por vezes, após a imposição de limites, há pessoas que sentem culpa, vergonha e remorsos, muitas vezes fruto de um padrão que vê os limites como maus e egoístas. Por exemplo, dizer que não ao almoço de família pode gerar emoções difíceis no pós-rejeição do convite. No entanto, este desconforto é importante de ser sentido, dado que a ausência de limites gera relações pouco saudáveis que tendem a prejudicar severamente a pessoa a curto, médio e longo prazo.

O estabelecimento de limites saudáveis e de relações positivas não é fácil para muitas pessoas, sendo o quebrar de um padrão complexo que pode ser acompanhado por emoções muito difíceis. No entanto, o reconhecimento do que é importante para cada pessoa e a tentativa de pôr em prática estão associados a uma saúde mental mais positiva, a uma boa influência nos outros, a um sentido de identidade e ao desenvolvimento de independência e autonomia. Desta forma, acaba por ser um passo muito importante para muitas pessoas, principalmente, para quem já tem dificuldades em dizer a sua opinião ou dizer que não aos outros.

Referências: How to Set Healthy Boundaries & Build Positive Relationships

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