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Como dizer ao psicólogo que não estou a gostar das consultas?

3 minutos de leitura Escrito em Por Andreia Ramos
Imagem simplista de um balão a simbolizar a libertação de comunicar abertamente com o psicólogo

O sucesso das consultas de psicologia depende de inúmeros fatores: motivação para a mudança, relação terapêutica entre a pessoa e o psicólogo, abordagem do psicólogo, características do psicólogo, desafios externos, entre outros. A combinação entre estes fatores faz com que as pessoas identifiquem e reconheçam como se sentem em relação à terapia e ao próprio terapeuta. Quando identificam que algo não está a correr como o desejado, idealmente, devem partilhar essas preocupações com o psicólogo. De seguida, estão representadas algumas possibilidades que podem significar o “não gostar” das consultas.

“Estive a refletir em casa e não sinto progressos”

Não sentir progressos é algo que pode acontecer. Dado que o processo terapêutico não é linear (isto é, a cada consulta, a pessoa não sai sempre melhor e melhor), a partilha desta sensação faz todo o sentido para se reavaliarem possibilidades. É natural as pessoas quererem melhorias e, quando sentem que estas não estão a acontecer, podem começar a surgir emoções complexas em terapia, como a frustração, a desmotivação e a apatia.

“Tem sido difícil me sentir confortável nas sessões”

As sessões podem não ser algo natural para toda a gente. Apesar de o final das consultas ser muito associado ao alívio, muitas vezes não é isso que acontece. O desconforto é uma emoção complexa que interfere com o processo e com a motivação da pessoa vir para a consulta. Assim, o psicólogo ter acesso a essa informação interna pode auxiliar a levar as consultas de uma forma mais calma, pelo menos numa fase inicial.

“Esta abordagem não tem funcionado para mim”

Cada psicólogo pode trabalhar de uma forma diferente. Para além de os psicólogos serem pessoas muito individuais, com as suas características pessoais e profissionais, a abordagem (forma como o terapeuta vê e trabalha com a pessoa) pode fazer mais ou menos sentido para quem está a viver o seu próprio processo terapêutico.

“Por vezes, sinto que não sou ouvido/a nas sessões”

Por vezes, as pessoas também podem sentir que não estão a ser ouvidas. O psicólogo pode dar interpretações que não encaixam tão bem, pode parecer que está a incentivar determinado comportamento ou pode dar respostas pelas próprias pessoas. Faz todo o sentido as pessoas quererem algum tipo de orientação, porém, serão sempre as próprias pessoas as “especialistas” na sua própria realidade.

“Não estou a gostar do processo e não tenho tido vontade de vir”

Esta frase pode ser a frase mais crua e, como consequência, pode ser das mais difíceis de verbalizar. Podem existir aspetos que, de facto, não têm nada a ver com as frases acima e a pessoa, mesmo assim, não estar a sentir-se bem nas consultas. Pode ser uma sensação sem grandes significados, mas é algo que pode fazer sentido ser comunicado pela pessoa.

Os psicólogos não são perfeitos e as próprias relações terapêuticas também podem ter as suas mudanças. No entanto, a partilha destas sensações pode ser altamente terapêutica, tendo em conta que o que acontece em contexto psicoterapêutico pode ser um reflexo do que acontece na vida das pessoas. Por vezes, algo não corre como o expectável e tal deve ser comunicado. Após a comunicação destas frases, o terapeuta tem acesso a informação crucial acerca da pessoa, sendo importante fazer um ponto de situação do processo: alterar o que tem sido feito, dar uma pausa ou encaminhar para outro colega terapeuta. Se for difícil a verbalização, também pode fazer sentido a adoção de meios menos confrontativos (por exemplo, mensagem ou email) ou a suspensão do processo.

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