Devo confiar nas informações de saúde mental da Internet?

A resposta mais simples a esta questão é um “nem sempre”. Assim, as informações provenientes de blogs, redes sociais e ferramentas de inteligência artificial podem não ser totalmente confiáveis. A confiabilidade da informação depende muito de quem a escreve ou produz conteúdo e do propósito da sua partilha. No entanto, mesmo que a informação seja produzida por um profissional qualificado com um propósito comunitário, em qualquer meio de comunicação faltará sempre a experiência única de cada pessoa que é uma parte crucial da compreensão da saúde mental individual.
Quem partilha a informação
Um cuidado muito relevante a ter em conta é quem está a partilhar o conteúdo, devendo ser sempre um profissional da psicologia, da psiquiatria, da medicina geral e familiar ou de enfermagem com formação em saúde mental. Todos os profissionais que usam terminologias como “terapeuta” ou “coach” sem especificar a sua formação, poderão não estar credenciados para divulgar conteúdo de saúde mental. Há diferenças nestas terminologias e a sua compreensão pode ajudar a filtrar melhor a informação. Mesmo quando se recorre a ferramentas de inteligência artificial, faz sentido perceber qual é a fonte da informação.
Com que propósito a informação é partilhada
A psicologia e a psiquiatria são serviços e, como tal, a exposição de informação relacionada com saúde mental pode constituir uma forma de venda/marketing. Assim, o conteúdo de saúde mental pode alcançar mais pessoas e funcionar como uma forma de aumentar a visibilidade do profissional. Apesar de não estar errado do ponto de vista ético, pode fazer sentido tentar compreender o propósito daquela informação: caso pareça muito redutora e simplista, pode ter uma intenção de causar reações e aumentar a visibilidade. Infelizmente, o conteúdo mais realista em relação à saúde mental tem mais dificuldades em apelar ao público porque também não cabe numa publicação nas redes sociais sem cortar inúmeras informações imprescindíveis.
Saúde mental sem experiência individual não é saúde mental
Uma palavra muito típica dos vocabulários dos psicólogos é “depende”. A psicologia está longe de ser uma ciência linear e a mesma experiência pode ter inúmeros significados. Assim, o objetivo da psicologia é tentar chegar a um consenso entre o que a teoria e a prática demonstram com a experiência pessoal de cada um, sem cair em generalizações nem simplificações excessivas. A teoria pode estar expressa numa publicação nas redes sociais ou num blogpost, mas acaba sempre por faltar a outra metade que é a experiência individual.
A partilha de informação sobre saúde mental acaba por ser muito importante porque ajuda na procura de ajuda e auxilia na desmitificação de crenças erradas em relação à saúde/doença mental. No entanto, também é importante considerar que nem toda a informação pode ser confiável porque existem demasiadas nuances dentro da saúde mental (por exemplo, profissionais que não têm formação na área, profissionais que apelam a conteúdos mais sensacionalistas como ferramenta de marketing e a ausência da experiência individual da pessoa). O acompanhamento individual com um profissional habilitado acaba por ser a forma mais adequada de a pessoa obter a ajuda que precisa e as informações sobre saúde mental devem apenas ser um facilitador nesse auxílio.
Para informações concretas e fidedignas sobre saúde mental: World Health Organization (WHO), American Psychological Association (APA), Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP), Serviço Nacional de Saúde (SNS), profissionais credenciados das áreas da psicologia, psiquiatria, medicina geral e familiar e enfermagem com formação em saúde mental.


