Que termos da psicologia são aplicados incorretamente?

3 minutos de leitura • Escrito em 4 de maio de 2026 • Por Andreia Ramos
Imagem simplista de um hashtag a simbolizar a psicologia pop como demasiado generalista

A psicologia pop tem desempenhado um papel muito importante na propagação de informação relacionada com a saúde mental, desmistificando mitos que sustentam visões incorretas e infundadas acerca da Psicologia. Apesar destes aspetos positivos relacionados com a psicologia pop e a sua influência nas redes sociais, alguns construtos psicológicos podem estar a ser banalizados por serem frequentemente aplicados de forma incorreta. Alguns desses termos mal aplicados podem acabar por estigmatizar ainda mais pessoas com determinadas condições, em vez de facilitar o processo de procura de ajuda especializada.

“Narcisismo”

O narcisismo faz parte de uma perturbação de personalidade, sendo uma perturbação complexa de diagnosticar e de intervir. Este termo acaba por ser muito mal aplicado, principalmente nas redes sociais, quando é aplicado a pessoas que apresentam comportamentos mais egoístas, autocentrados e com tendência a magoar os outros. Traços narcísicos fazem parte de quase todas as personalidades, o diagnóstico em si é uma condição rara.

“Défice de atenção”

O défice de atenção é um conceito que tende a ser muito generalizado. O défice de atenção na Psicologia é uma condição que requer inúmeros critérios para ser enquadrada numa Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA). No entanto, em muitas situações, o défice de atenção propagado acaba por ser enquadrado como distração ocasional. A PHDA é uma condição complexa que influencia negativamente a vida das pessoas com este diagnóstico.

“Bipolaridade”

À semelhança do narcisismo, a bipolaridade acaba por ser utilizada para descrever alguém que tem mudanças de humor repentinas ou comportamentos mais inconstantes. Mais uma vez, a perturbação bipolar é uma condição mental séria que implica muito mais que oscilações de humor e instabilidade e a sua generalização pode aumentar o estigma em relação à doença.

“Limites”

Os limites nas redes sociais apresentam uma tendência a ser dicotómicos. Isto é, quem passa os limites precisa de ser cortado da vida das pessoas. Na realidade, as relações e as pessoas apresentam nuances muito mais complexas do que esta generalização. Na psicologia, é importante a comunicação de limites para relações mais saudáveis, mas também é importante a flexibilização pessoal e a não utilização de limites para controlar os outros.

Um post nas redes sociais não é suficiente para a formalização de um diagnóstico ou para fomentar generalizações acerca dos outros e de si próprio. As pessoas são muito mais complexas e a visão categórica da mente humana (“ou não me magoa ou é narcísico”, “ou estou 100% atento ou tenho PHDA”, “ou é estável emocionalmente ou é bipolar”, “ou respeita todos os meus limites ou sai da minha vida”) acaba por promover uma rigidez cognitiva potencialmente disfuncional. Para questões relacionadas com diagnósticos e funcionamento, é importante que seja um profissional habilitado (psicólogo, psiquiatra, médico de família) que conheça a situação global. Um post nas redes sociais nunca terá em conta as nuances de cada um.

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