O que é a intervenção em crise?

3 minutos de leitura • Escrito em 23 de dezembro de 2024 • Por Andreia Ramos
Imagem simplista de uma ampulheta a simbolizar a importância da intervenção rápida na intervenção em crise

A intervenção em crise é um modelo psicoterapêutico que pode ser utilizado aquando de um acontecimento que se constituiu um obstáculo que não se consegue bem ultrapassar com recurso às estratégias utilizadas no passado (por exemplo, acidente rodoviário, catástrofe natural, falecimento de alguém próximo, divórcio). Assim, a intervenção em crise é um modelo que deve ser de rápido acesso e dirigido a um objetivo estratégico, que pretende restaurar o equilíbrio psicológico através da promoção de estratégias de coping (estratégias para lidar com a situação de crise).

Exposição a situação de crise

As situações de crise são eventos que implicam mudança. Usualmente, estes momentos podem ser considerados como ameaçadores e pode existir uma incapacidade da pessoa em reduzir o sofrimento provocado pelo evento e um aumento consequente de emoções tendencialmente desagradáveis.

Reações de stress como reações naturais

O estado de “crise”, também denominado de reação aguda ao stress, pode contemplar reações emocionais intensas (por exemplo, medo exacerbado, estado de choque e irritabilidade), reações cognitivas (por exemplo, dificuldades de concentração, confusão e pensamentos intrusivos), reações físicas (por exemplo, taquicardia, hiperventilação e alterações de apetite) e reações comportamentais (por exemplo, fuga, agitação e imobilização). Estas reações, numa primeira fase, são normais e adaptativas.

Intervenção em crise como prevenção de evolução do quadro clínico

A intervenção em crise visa, numa primeira instância, a avaliação da situação. Apesar das reações naturais supramencionadas, podem existir sintomas que se podem constituir como risco para a própria pessoa e para outros. De seguida, com recurso a uma relação terapêutica (relação entre a pessoa e o psicólogo) de segurança, este modelo pretende ajudar a aceder e a mobilizar recursos, desenvolver um plano de ação e testar as ideias e novos comportamentos. Dada a intervenção rápida, a intervenção em crise auxilia na prevenção da evolução da reação aguda ao stress para quadros psicopatológicos como a Perturbação de Stress Pós-Traumático.

Assim, a intervenção em crise é um modelo adotado aquando de uma mudança e de consequentes reações negativas à mesma. Recorre, essencialmente, a estratégias de primeiros socorros psicológicos para ajuda imediata e, no domínio psicoterapêutico, como objetivo central, pretende integrar funcionalmente o evento na história de vida da pessoa. Apesar das reações ao stress serem normativas, a intervenção em crise constitui-se como um modelo de intervenção eficaz que auxilia as pessoas em momentos mais vulneráveis.

Referências: Psicoterapias Cognitivo-Comportamentais - Volume 1: Intervenções Clínicas (Capítulo 9 - Psicoterapia e Intervenção em Crise)

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