Qual o impacto das redes sociais na saúde mental?

As redes sociais acabam por fazer parte da vida de quase toda a gente. Nos últimos anos, quase todas as pessoas apresentam um perfil em alguma rede social, servindo como forma de se manter conectado com pessoas conhecidas e facilitando o estabelecimento de novas relações. No entanto, tem-se verificado que as redes sociais e a presença ativa nas mesmas podem acabar por trazer alguns malefícios para o bem-estar e a saúde mental das pessoas. Desta forma, o uso excessivo pode estar associado a uma maior frequência e intensidade de ansiedade e depressão e pode aumentar a sensação de isolamento e vazio.
O efeito negativo da comparação
As redes sociais acabam por ser um ambiente altamente filtrado. As pessoas têm mais tendência a partilhar os seus sucessos, fotos em que se sentem melhor e atividades menos usuais. Assim, é fácil cair numa realidade que pode acabar por estar muito discrepante do dia a dia das pessoas, criando, muitas vezes, expectativas irrealistas (por exemplo, padrões de beleza elevados, estilos de vida focados em dinheiro, viagens, saúde e bem-estar). A comparação pode acabar por afetar significativamente a autoestima, através de sentimentos de inferiorização e incapacidade.
A potencial dependência da aprovação
Em algumas situações, as redes sociais podem apresentar semelhanças com inúmeras dependências. Como são muito assentes nas reações de outras pessoas (por exemplo, número de gostos, número de seguidores, número de visualizações), as pessoas podem entrar num estado de querer obter a aprovação externa que é tão enfatizada pelas empresas responsáveis pelas redes sociais. Desta forma, cria-se um filtro mais intenso, relacionado mais com o que as pessoas querem ver do que, necessariamente, com o que a pessoa quer fazer.
As situações de cyberbullying
A prevalência do cyberbullying, principalmente na adolescência, tem-se mostrado inegável de acordo com as últimas investigações. As redes sociais podem ser um ambiente bastante facilitador de partilha de informação íntima, rumores e mentiras, podendo comprometer severamente o bem-estar da pessoa afetada e respetiva família e amigos.
Cuidados a ter com as redes sociais
Como há uma tendência para as pessoas passarem muito tempo nas redes sociais, a sua realidade pode ser mais afetada pelo que veem e menos pelo que vivem. Desta forma, é importante que as pessoas, em paralelo às redes sociais, tenham interações reais e consigam encontrar um equilíbrio entre o virtual e a realidade (por exemplo, ser seletivo com as pessoas que segue e acompanha, tentar não recorrer às redes sociais para “matar tempo”, questionar as informações lidas e lembrar que o conteúdo nunca pode ser um reflexo concreto da realidade de alguém).
As redes sociais apresentam alguns aspetos positivos relacionados com a interação com amigos e familiares e com a consciencialização e sensibilização em relação a determinadas causas. Porém, os seus potenciais efeitos negativos na saúde mental têm sido amplamente documentados ao longo dos últimos anos, sendo especialmente complexos na adolescência em que o cérebro ainda se encontra em desenvolvimento. Assim, o tempo passado nas redes sociais pode apresentar uma correlação significativa com questões de saúde mental complexas, podendo ser necessária intervenção para a mitigação das possíveis consequências negativas.
Referências: Social Media and Mental Health


