Como é que as pessoas mudam?

3 minutos de leitura • Escrito em 27 de fevereiro de 2026 • Por Andreia Ramos
Imagem simplista de uma borboleta a simbolizar o processo de mudança do acompanhamento psicológico

Existem alguns modelos clínicos que são utilizados para a compressão de como é que as pessoas mudam comportamentos e fomentam novos hábitos mais funcionais e saudáveis. O Modelo Transteórico de Mudança é um modelo muito utilizado em psicoterapia que permite situar a pessoa num dos cinco estágios de mudança, adaptando a intervenção de acordo com as necessidades atuais da pessoa. Por exemplo, uma pessoa que pretende terminar uma relação abusiva encontra-se num estágio diferente de uma pessoa que ainda não tem a perceção de que está numa relação abusiva. Assim, os estágios dividem-se em: pré-contemplação, contemplação, preparação, ação e manutenção.

Estágio 1 - Pré-contemplação

As pessoas que se encontram neste estágio não reconhecem o problema e ainda não apresentam qualquer intenção de começar um plano de mudança. Nesta fase, podem estar pessoas desmotivadas em relação à mudança e que veem a mudança como algo mais negativo do que positivo.

Por exemplo: uma pessoa que considera que o seu consumo de álcool não é problemático

Estágio 2 – Contemplação

Este estágio consiste na contemplação da mudança com alguns sentimentos de ambivalência. Usualmente, as pessoas reconhecem que há um problema a resolver, mas ainda estão incertas quanto à necessidade de mudança. Desta forma, existe uma indecisão acerca do comportamento a adotar mas, contrariamente ao estágio anterior, há a ponderação.

Por exemplo: uma pessoa que quer começar a fazer exercício físico

Estágio 3 – Preparação

Nesta fase, a pessoa decidiu que quer avançar com a mudança e as indecisões e sentimentos de ambivalência em relação ao estágio 2 são menores. É comum as pessoas, neste estágio, começarem a recolher informações e a delinear passos concretos para o estabelecimento da mudança.

Por exemplo: a marcação de consulta no centro de saúde para cessação tabágica

Estágio 4 – Ação

No estágio da ação, a mudança começa a surgir e o plano de ação para o comportamento desejado começa a ser executado. As pessoas em fase de ação começam a sentir-se mais confiantes nas suas competências de alcançar o objetivo delineado.

Por exemplo: enviar currículos para a procura de um novo trabalho

Estágio 5 – Manutenção

A ação, para aumentar a probabilidade de mudança, deve ser mantida ao longo do tempo. Desta forma, as mudanças já estão a acontecer e necessitam de ser sustentadas para evitar o retorno ao comportamento anterior.

Por exemplo: manutenção de mudanças alimentares saudáveis após seis meses

Este modelo ainda se encontra bastante atual e auxilia os clínicos, não só da psicologia mas também da medicina e enfermagem, na compreensão da pessoa e na identificação do estágio atual. No entanto, novas investigações têm demonstrado que a mudança não é necessariamente sequencial (isto é, fase 1 – fase 2 – fase 3 – fase 4 – fase 5) e que nem todas as pessoas passam por todas as fases. Desta forma, é sempre relevante ter em conta as particularidades e necessidades de cada pessoa para uma intervenção especializada e ajustada à pessoa. No entanto, ainda é considerado um modelo muito útil, sendo bastante utilizado em abordagens terapêuticas como a entrevista motivacional.

Referências: Stages of Change Theory

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