O que são pensamentos intrusivos?

3 minutos de leitura • Escrito em 5 de novembro de 2024 • Por Andreia Ramos
Imagem simplista de Andreia Ramos a simbolizar os pensamentos intrusivos como uma bola de cristal

Os pensamentos intrusivos consistem em pensamentos automáticos, incontroláveis e não desejados pela pessoa que apresentam tendência a causar bastante sofrimento e desconforto. Os seus conteúdos podem variar muito de pessoa para pessoa e podem assumir, por exemplo, ordens (por exemplo, “salta”), dúvidas em relação ao passado e a memórias (por exemplo, “será que ontem fiz alguma coisa de errado?”), frases autocríticas (por exemplo, “sou má pessoa”) e predições (por exemplo, “a minha namorada está a trair-me”). Apesar de ser um processo relativamente comum, a forma como estes pensamentos são lidados podem prever mais funcionalidade ou disfuncionalidade em relação aos mesmos. Desta forma, é importante destacar que:

Os pensamentos não são factos

Algo muito trabalhado em psicoterapia é que os pensamentos intrusivos não detêm de uma racionalidade subjacente para se considerarem factos. Desta forma, a presença dos mesmos não significa nada em relação à própria pessoa, aos outros nem em relação ao mundo.

Ter pensamentos maus ou fazer algo mau é diferente

Por vezes, nas consultas, custa bastante às pessoas dizerem o conteúdo dos seus pensamentos intrusivos por poderem assumir que ao verbalizarem os mesmos, que estão a transparecer ser uma pessoa má. Os pensamentos intrusivos são incontroláveis e a sua presença não é indicadora que a pessoa seja o reflexo daquele conteúdo, mesmo que negativo. As pessoas não são definidas pelos seus pensamentos.

Quanto mais se evitam estes pensamentos, pior

Dado o fator surpresa dos pensamentos intrusivos, as pessoas apresentam tendência a aderir a estratégias que fogem e evitam estes próprios pensamentos. Muitas das vezes, essas estratégias passam por comportamentos que funcionam como uma prevenção da concretização do pensamento – as compulsões – e que podem ser bastante incapacitantes a curto, médio e longo prazo.

É necessário compreender os pensamentos intrusivos

Apesar de incontroláveis, os pensamentos podem ser geridos de forma diferente. Primeiro, é necessário compreender o seu aparecimento e as bases subjacentes ao aumento do desconforto e sofrimento. Após isso, é possível ganhar consciência sobre os mesmos, permitindo adotar ferramentas mais funcionais nos momentos mais desafiantes.

Os pensamentos intrusivos, para muitas pessoas, acabam por ser muito difíceis de lidar e podem originar um sofrimento muito significativo. Assim, é relevante realçar que as pessoas não são os seus pensamentos e que, usualmente, os mesmos aparecem e vão contra os verdadeiros valores e desejos da própria pessoa. Não obstante, se as consequências dos pensamentos intrusivos forem significativas, é necessária intervenção direta (psicológica ou psiquiátrica) nas dificuldades.

Referências: Unified Protocol for Transdiagnostic Treatment of Emotional Disorders

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