Qual a diferença entre tristeza e depressão?

2 minutos de leitura • Escrito em 20 de janeiro de 2025 • Por Andreia Ramos
Imagem de Andreia Ramos a simbolizar a flutuação da tristeza e a eventual passagem para um quadro depressivo

A tristeza e a depressão são dois conceitos da psicologia muito relevantes e paralelamente trabalhados na prática clínica. No entanto, ainda surgem bastantes dúvidas acerca se as pessoas estão tristes ou deprimidas, existindo dificuldade na perceção de diferenças entre ambas. De uma forma global, a tristeza é uma emoção primária natural que está presente na população geral. Porém, a tristeza pode fazer parte do diagnóstico de depressão (não é um critério necessário), mas não é suficiente para o respetivo diagnóstico.

A tristeza

A tristeza é uma emoção primária e tem a função de ajudar a pessoa a processar algo difícil e, usualmente, incontrolável (por exemplo, término de uma relação, perda de alguém, despedimento, doença). É uma emoção que se pode tornar disfuncional quer a nível de frequência e intensidade quer a nível de duração. Desta forma, a tristeza está significativamente associada a quadros clínicos depressivos, com probabilidade mais elevada de as pessoas terem maior reatividade emocional, mais prejuízos sociais e emocionais e mais insónias.

A depressão

A depressão, por sua vez, é um diagnóstico de saúde mental. Desta forma, é necessário a presença de tristeza e/ou perda de prazer associado a mais sintomas psicológicos – variação de peso e de apetite, dificuldades de sono, agitação ou lentificação motora, dificuldades de concentração, sentimentos de culpa e de inutilidade e pensamentos acerca da morte. Desta forma, a tristeza é comummente um sintoma de uma depressão, porém, em situações específicas, as pessoas podem estar numa depressão sem se sentirem particularmente tristes (presença de mais sintomas de perda de prazer do que de tristeza).

Assim, a tristeza e a depressão não devem ser usados como sinónimos apesar de representarem conceitos psicológicos facilmente associados. A tristeza sentida de forma desregulada (muito frequente, muito intensa e/ou com bastante duração) pode evoluir para um quadro depressivo mas não é suficiente para a atribuição do mesmo. Deste modo, é importante a avaliação por um clínico após a suspeita de um quadro depressivo, prevenindo a sua complexificação e intervindo nas dificuldades prementes.

Referências: Sadness as an integral part of depression, Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-5), Unified Protocol for Transdiagnostic Treatment of Emotional Disorders

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