O que é a autocrítica?

2 minutos de leitura • Escrito em 12 de janeiro de 2026 • Por Andreia Ramos
Imagem simplista de dois pensos a simbolizar as feridas da autocrítica

Os psicólogos que trabalham no meio clínico lidam muito com a autocrítica nas pessoas que acompanham, por estar muito associada a dificuldades psicológicas como ansiedade, depressão, abuso de substâncias, perturbações de personalidade… A autocrítica é uma avaliação consciente da própria pessoa, que pode ser saudável e ponderada (por exemplo, “a apresentação não correu tão bem como deveria… tenho de me preparar melhor para a próxima”). No entanto, também pode ter bastantes consequências nefastas, como crenças negativas relativas à própria pessoa, e influenciar diretamente todo o seu contexto (por exemplo, “a apresentação correu mal… não valho nada”).

Autocrítica como resposta disfuncional

A autocrítica é um processo que se pode facilmente tornar disfuncional, sendo muitas vezes definido como um autoescrutínio constante e severo. Desta forma, em circunstâncias mais agudas, a pessoa autocrítica dá significado às situações externas com base na sua autoavaliação negativa (por exemplo, incompetência, insegurança, dependência), fortalecendo o ciclo de reação e consolidando o processo cognitivo para situações futuras.

Autocrítica associada a inúmeras dificuldades psicológicas

Dada a base da autocrítica, é natural que a mesma seja encontrada em inúmeras dificuldades psicológicas e, por consequência, em diagnósticos mentais e psicopatologias. Mais concretamente, a depressão apresenta, habitualmente, respostas autocríticas mais intensas, sendo a autocrítica muito descrita como uma dimensão da vulnerabilidade depressiva ou um componente da própria depressão.

Autocrítica associada a perfecionismo

O perfecionismo disfuncional pode ser muito pejorativo, especialmente se consistir em preocupação excessiva em relação a falhar e no estabelecimento de objetivos mais difíceis de alcançar. Assim, quando há uma sensação de falha ou de ausência de perfeição, a autocrítica tende a ser uma resposta disfuncional típica. Ao mesmo tempo, a autocrítica pode reforçar padrões de perfecionismo mais elevados e inflexíveis (por exemplo, “só vou ser realmente bom quando conseguir alcançar ‘x’”).

Sempre que, em contexto clínico, a pessoa apresenta autocrítica como parte do seu funcionamento, esta deve ser incluída nos objetivos terapêuticos pois é um fator de manutenção de sofrimento muito relevante. Em psicoterapia, a autocrítica pode ser trabalhada de inúmeras formas, dependendo da abordagem do psicólogo, através da empatia e autocompaixão, mudar a posição em relação ao self crítico, fortalecer o self e pela promoção de consciência com recurso a estratégias que vão desde a identificação dos pensamentos críticos a trabalho de duas cadeiras.

Referência: A review of client self-criticism in psychotherapy

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