Como lidar com a perda de alguém?

Na psicologia, o processo de perda de alguém é descrito muitas vezes como um dos fenómenos mais difíceis de lidar, principalmente se existia um vínculo forte e seguro com a pessoa em questão. Para o cérebro, a perda significa uma mudança abrupta que exige uma constante adaptação à nova realidade, sendo essa mudança descrita como processo de luto. Ao processo de luto estão associadas muitas emoções complexas e difíceis, tais como a tristeza, a raiva, a frustração, podendo despoletar problemas de sono, problemas alimentares, falta de motivação, isolamento, que podem ir afetando significativamente a funcionalidade da pessoa. Desta forma, para lidar com a perda de alguém, pode ser importante:
Manutenção de contactos sociais e familiares
Apesar de poder haver uma tendência para o isolamento durante o processo de luto, a ativação de recursos familiares e sociais é um fator protetor relevante. A experiência de luto já é por si só uma experiência tão dura e particular que a ajuda de amigos e familiares pode fazer a diferença. Para além disso, a presença de relações de confiança, pode facilitar à expressão de determinadas emoções, auxiliando o seu processamento.
Compreensão do papel das emoções
Durante um processo de luto, o leque de emoções pode ser muito variado e a sua intensidade e frequência podem ser avassaladoras. Desta forma, pode ser relevante compreender que as emoções são uma forma de ajudar a processar a perda e são importantes de ser sentidas. Nesta fase, a procura de um psicólogo pode ajudar na expressão emocional e na comunicação dos sentimentos.
Cuidar e deixar ser cuidado
Nas fases emocionais particularmente difíceis, é comum deixar de haver autocuidado. Desta forma, pode ser importante tentar manter hábitos saudáveis alimentares, bem como hábitos de sono e de exercício. Para além disso, o apoio das pessoas próximas pode auxiliar nesta fase no cuidado das necessidades (por exemplo, aceitar fazer uma caminhada, aceitar que façam o jantar).
Falar sobre a perda
Falar sobre a perda pode ser controverso para algumas pessoas, apesar de estar associado a um processo de luto mais funcional. Desta forma, relembrar histórias da pessoa, falar sobre os seus hábitos e estar com pessoas que estão a experienciar a mesma perda pode ajudar no processo de adaptação. Também recorrer a pessoas que passaram por uma situação semelhante pode ser um fator protetor crucial.
O processo de luto é diferente de pessoa para pessoa e a tentativa de o generalizar pode acabar por fazer perder as particularidades de cada situação. Apesar de os pontos acima descritos estarem associados a processos de luto mais adaptativos, a pessoa deve ir no seu ritmo e fazer o que vai ao encontro das suas necessidades e emoções. A presença de um espaço psicoterapêutico seguro também pode funcionar como um bom auxílio na expressão de emoções e da dor, bem como o recurso à consulta de psiquiatria caso a intensidade e a frequência das emoções estejam a afetar significativamente a funcionalidade e a vida da pessoa.
Referências: Grief: Coping with the loss of your loved one


