Como lidar com a resistência à mudança em psicoterapia?

3 minutos de leitura • Escrito em 21 de maio de 2026 • Por Andreia Ramos
Imagem simplista de uma casa a simbolizar a proteção da pessoa quando está resistente à mudança

A resistência à mudança em psicoterapia é um conceito muito utilizado na psicologia clínica. Consiste em tudo o que uma pessoa faz para evitar a mudança psicológica, expor-se à vulnerabilidade e prevenir influências externas. As pessoas mais resistentes podem fazê-lo de forma consciente ou inconsciente (por exemplo, evitar certos temas, intelectualizar emoções e esquecer tópicos de sessão). Em visões mais tradicionais, a resistência era vista como oposição, negação, evitamento e falta de colaboração por parte da pessoa. No entanto, abordagens mais recentes indicam que a resistência vem de um conjunto de fatores, sendo alguns deles externos à pessoa.

O que é a resistência?

A resistência em psicoterapia consiste num conjunto dinâmico de quatro fatores: o estilo do terapeuta, a personalidade da pessoa acompanhada, o nível de pressão percebida e a ameaça à autonomia. Desta forma, as visões mais modernas sugerem que a resistência pode ser aumentada ou diminuída mediante a condução do próprio processo psicoterapêutico.

Porque é que a resistência aparece?

A resistência aparece porque a pessoa se está a tentar proteger de uma ameaça percecionada. Quando a pessoa se sente ameaçada em relação à sua liberdade (controlo, manipulação ou imposição) ou pressionada a mudar, pode ter uma reação psicológica a esse gatilho e adotar comportamentos que procuram evitar a perda de liberdade (por exemplo, discordar constantemente, mudar de assunto, faltar às sessões).

Como o terapeuta deve agir?

O terapeuta tem mais influência direta neste tipo de processo mental do que antes se constatava. Isto porque se tem observado que psicólogos mais diretivos têm tendência para aumentar a resistência e que pessoas mais resistentes em terapia beneficiam de processos mais colaborativos. Assim, sabe-se que a resistência diminui quando há colaboração, quando a autonomia pessoal é preservada, quando há empatia e quando a mudança não é imposta. Desta forma, a resistência não deve ser resolvida, mas sim compreendida (Qual é a ameaça? O que é que está a ser protegido? Porque é que a mudança parece perigosa?).

A resistência à mudança é algo que todos os psicólogos vão encarar ao longo da prática clínica. No entanto, apesar de ser algo que possa gerar sentimentos de frustração no terapeuta, a resistência aparece com algum propósito, e a forma como é gerida, influencia muito como a pessoa vai responder: com mais defesa interna ou começando a baixar os seus muros. Para as pessoas acompanhadas, esta resistência pode ser consciente ou inconsciente, porém, de qualquer das formas, é algo que precisa de ser reconhecido na terapia.

Referências: Resistance in psychotherapy: What conclusions are supported by research

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