Como promover resiliência psicológica?

As pessoas encontram, ao logo da vida, uma variedade de desafios, sejam eles pequenos obstáculos ou eventos que implicam mudanças significativas. A forma como as pessoas lidam com a adversidade e com situações de crise pode traduzir-se em maior ou menor resiliência psicológica. Apesar de, na sociedade, a resiliência ser muitas vezes uma característica pessoal (“aquela pessoa é resiliente”), a investigação tem demonstrado que a resiliência é um processo dinâmico entre a pessoa, a situação de crise e o ambiente, que permite uma adaptação mais positiva à mudança. Assim, a resiliência psicológica pode ser compreendida como um processo que envolve:
Exposição à adversidade
Para a existência de um processo de resiliência, é necessário o acontecimento de um ou vários stressores/gatilhos externos que interferem com o funcionamento da pessoa. Aqui, podem ser inseridas situações difíceis como a perda de alguém, problemas de saúde, perda da casa ou do trabalho e experiências de vitimização, por exemplo.
Avaliação adaptativa de um evento complexo
Mais importante do que o evento em si, é a forma como o mesmo é interpretado. Assim sendo, se houver uma interpretação mais funcional do evento (por exemplo, perceber que se tentou tudo antes de um divórcio), é mais provável que o processo de resiliência ocorra de forma positiva. Pelo contrário, caso a interpretação seja disfuncional (por exemplo, acreditar que podia ter salvo a vida de alguém), é mais difícil começar o processo de adaptação.
Ativação de recursos pessoais e contextuais
Os recursos variam consoante a pessoa e o contexto: recursos familiares e sociais (isto é, ter alguém a quem recorrer), recursos pessoais (isto é, acreditar nas suas próprias competências, emoções e motivações) e recursos contextuais (isto é, outros domínios da vida da pessoa estáveis). Desta forma, na psicologia, os fatores protetores apresentam um peso significativo para a promoção da resiliência.
Resposta ao stress
Com base na avaliação e nos recursos, a pessoa vai experienciando emoções e adotando comportamentos que podem ajudar a lidar melhor ou pior com a situação específica. Estas respostas emocionais, cognitivas e comportamentais podem variar ao longo do tempo e podem auxiliar o processo de resiliência ou gerar respostas disfuncionais e desadaptativas.
Todo este processo é o que determina a resiliência psicológica, e não apenas o resultado. Para além disso, os eventos passados apresentam uma influência tanto na avaliação, como na ativação de recursos e na resposta ao stress, indicando que a resiliência é um conceito dinâmico, processual e tem base em inúmeras variáveis. Assim, a resiliência vista como uma característica, constitui uma operacionalização muito redutora do conceito e é relevante a compreensão de uma adaptação positiva a um ou vários eventos difíceis, à luz de modelos mais complexos.
Referências: Psychological Resilience - A Review and Critique of Definitions, Concepts, and Theory


