Todos os processos terapêuticos são semelhantes entre si?

3 minutos de leitura • Escrito em 27 de abril de 2026 • Por Andreia Ramos
Imagem simplista de um bonsai a simbolizar a diferença de cada processo psicoterapêutico

Um psicólogo é um profissional que necessita de uma base de formação complexa para compreender o comportamento e a cognição humana e poder ajudar as pessoas que acompanha. Não obstante, apesar de teoricamente a psicologia ser uma ciência muito forte, a prática também vai tendo muita influência na forma como os psicólogos vêm as pessoas. Isto porque não existe um processo terapêutico semelhante a outro e o psicólogo deve sempre adaptar-se às necessidades, características e contexto da pessoa para conseguir dar uma melhor resposta psicoterapêutica.

Cada pessoa é única

Se cada processo psicoterapêutico implica uma pessoa diferente, é lógico refletir que nenhum processo será igual ao outro. A verdade é que as pessoas vêm às consultas de psicologia com necessidades, características, histórias de vida e circunstâncias muito diferentes entre si, mudando por completo o trabalho em conjunto. Cada pessoa foi atribuindo significado às experiências que teve, processando-as de acordo com as suas emoções e cognições individuais.

O mesmo diagnóstico não significa o mesmo tratamento

Na componente teórica, são estudados os diagnósticos e os planos de tratamento eficazes para cada um deles. Porém, a psicologia tem mostrado que a visão da pessoa à luz de diagnósticos de doença mental pode ser bastante redutora e perde a complexidade da pessoa como um todo. Desta forma, um diagnóstico pode auxiliar na comunicação entre profissionais e no delineamento do plano de intervenção mas nunca irá conter toda a informação sobre a pessoa, quem ela é e as suas vivências.

A pessoa como agente do seu processo de mudança

Um processo psicoterapêutico centrado nas necessidades da pessoa acaba sempre por ter um foco muito grande na pessoa e menos no psicólogo. Desta forma, o psicólogo auxilia na compreensão, de forma empática e compreensiva, enquanto a pessoa vai mudando de acordo com a sua própria visão do processo. Assim, o papel central no próprio processo de mudança faz com que a pessoa tenha autonomia pessoal e que este seja extremamente específico e individual.

Cada vez mais, a investigação tem demonstrado que os processos terapêuticos devem ser centrados nas necessidades da pessoa, acompanhando o que a mesma precisa. Quando se adota a postura de que os processos terapêuticos são iguais entre si, perdem-se detalhes muito relevantes da identidade pessoal de quem é acompanhado. Assim, quando a pessoa tem a autonomia de conduzir o seu processo, ao seu ritmo e de acordo com o que precisa, esse caminho fica complexo de replicar por qualquer outra pessoa, mesmo que com o mesmo psicólogo.

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