Como ajudar alguém que está numa relação abusiva?

Infelizmente, os dados em Portugal não têm sido muito animadores no que diz respeito à prevalência de relações abusivas, nomeadamente em faixas etárias mais novas como nos adolescentes. Do ponto de vista externo, pode ser difícil compreender porque é que as pessoas permanecem neste tipo de relações. No entanto, psicologicamente, é muito mais complicado abandonar dinâmicas abusivas do que é expectável. Desta forma, o presente artigo visa identificar formas de ajudar alguém que parece estar numa relação difícil de sair.
Expressar o que preocupa
Neste contexto, é importante comunicar à pessoa, com calma, aquilo que tem gerado preocupação na relação: comentários em relação à aparência física e personalidade, privação de liberdade, comportamentos de controlo, agressões físicas e/ou psicológicas, entre outras. Aqui, é importante evitar julgamentos em relação ao porquê de a pessoa estar na relação mas sim mostrar apoio quanto ao que fazer. O objetivo é a pessoa saber que tem alguém que compreende o que se está a passar.
Elaborar plano de segurança
Por vezes, as pessoas ao expressarem as suas preocupações, podem colocar alguma pressão para a pessoa sair da relação. O objetivo principal deve ser, independentemente daquilo que a pessoa escolha, o estabelecimento de um plano que garanta a sua segurança em momentos de crise (por exemplo, caso a pessoa esteja em perigo, mandar uma mensagem com um símbolo definido como perigo, ter um sítio com todos os documentos necessários para sair com urgência).
Sinalizar situações de perigo junto das entidades competentes
Em situações de perigo, em que a pessoa recusa todo o tipo de ajuda e tem cada vez menos recursos para sair da relação, faz sentido sinalizar às entidades competentes. Nesta fase, em situações de violência doméstica, deve ser realizada uma denúncia (na Polícia de Segurança Pública mais próxima, na Guarda Nacional Republicana mais próxima ou no Ministério Público Online). Para apoios jurídicos, sociais e psicológicos, pode fazer sentido contactar entidades de apoio à vítima (Associação Portuguesa de Apoio à Vítima ou Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género).
Proteger as suas próprias necessidades
Por vezes, mesmo com todo o apoio, é difícil as pessoas se libertarem deste tipo de situações. Não significa que a pessoa não esteja a conseguir fazer o necessário para ajudar, mas pode significar que os padrões abusivos estão demasiado entranhados. Desta forma, pode ser necessário olhar para as próprias necessidades e definir limites (por exemplo, “eu quero muito ajudar-te, mas hoje está a ser mais difícil para mim…podemos falar amanhã?, “eu não sei bem o que fazer…já pensaste em falar com um terapeuta?”).
Quem experiencia alguém próximo a viver uma relação abusiva, pode sentir bastante impotência. A verdade é que o que está no controlo são os fatores acima – expressar as preocupações, preparar planos de segurança e sinalizar situações de perigo. No entanto, dadas as dinâmicas abusivas presentes neste tipo de relações, estes esforços podem não produzir resultados imediatos. Assim, é importante salvaguardar a própria saúde mental, definir limites e encaminhar a pessoa para profissionais habilitados para ajudar.
Se é vítima de violência doméstica ou conhece alguém nesta situação:
- 800 202 148 (Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género) – chamada gratuita, 24h/dia
- 116 006 (Associação Portuguesa de Apoio à Vítima) – chamada gratuita, dias úteis: 8h-23h
Para mais apoios, consultar find a helpline.


