Como diminuir o impacto da inteligência artificial na saúde mental dos adolescentes?

Apesar de a inteligência artificial nunca poder substituir o recurso a um psicólogo, é expectável que continue a ser utilizada para questões relacionadas com a saúde e a doença mental. Em específico, nos adolescentes, é importante ter alguns cuidados tendo em conta a fase do desenvolvimento em que se encontram. A adolescência é uma fase importante do desenvolvimento, durante a qual o cérebro ainda se encontra em maturação. Desta forma, devem-se seguir as recomendações das organizações de saúde para prevenir a sua má utilização. Assim, para a diminuição do impacto negativo da inteligência artificial na adolescência é importante dotar os adolescentes de informação acerca da mesma, incentivar pais, cuidadores e agentes educativos a orientar os adolescentes para que não utilizem a inteligência artificial como principal fonte de apoio relacional ou emocional e implementar políticas de saúde que protejam os jovens, numa fase tão crucial do desenvolvimento.
A inteligência artificial é um recurso
O reconhecimento da inteligência artificial como um recurso importante é algo que merece atenção. O objetivo não deve ser o de eliminar a inteligência artificial da vida das pessoas e, em específico, dos adolescentes, mas sim utilizá-la com segurança e com os cuidados necessários. Neste tópico, é relevante reconhecer que a inteligência artificial pode errar e que nem toda a informação gerada é proveniente de fontes confiáveis e seguras.
Não deve substituir relações humanas
As relações humanas são fundamentais para o bem-estar, o desenvolvimento emocional e a saúde mental. No entanto, quando a inteligência artificial é utilizada como forma de substituição de relações, pode limitar oportunidades para um desenvolvimento social saudável. Desta forma, quando os adolescentes recorrem a ferramentas de inteligência artificial para estabelecer relações, podem desenvolver uma perceção de intimidade, amizade ou empatia que não corresponde a uma interação humana real.
Especial cuidado com a saúde mental
Quando a inteligência artificial é utilizada como principal forma de desabafo ou apoio emocional, existe o risco de substituir relações de apoio importantes, como amigos, familiares ou profissionais de saúde mental, podendo limitar oportunidades para desenvolver competências sociais e emocionais. A saúde mental implica sempre uma componente muito pessoal e, muitas vezes, não apresenta respostas objetivas e claras. Desta forma, é relevante que as pessoas sejam ajudadas com recurso a apoio humano para questões de saúde mental, desde desabafos até sintomas mais complexos. Na saúde mental, nunca se pode substituir uma avaliação especializada ou a relação terapêutica.
Na adolescência, pode ser fácil recorrer à inteligência artificial para desabafar, porque não há julgamento por parte dos pares. Se estas interações substituírem relações presenciais ou significativas com outras pessoas, os adolescentes podem ter menos oportunidades para desenvolver competências sociais e emocionais. Existe também o risco de alguns adolescentes desenvolverem uma dependência emocional destas ferramentas, procurando nelas validação ou conforto de forma recorrente. A inteligência artificial pode ser uma ferramenta útil para aprender, organizar informação ou estimular a criatividade. No entanto, quando utilizada como substituto das relações humanas ou como principal fonte de apoio emocional, exige cuidados especiais, sobretudo durante a adolescência.
Referências: Artificial intelligence and adolescent well-being


